E os cachinhos?

Hoje eu cortei o cabelo de Alice.

Pronto. Sem drama. Cortar o cabelo era pra ser um evento cotidiano na vida de qualquer criança. Aliás, de qualquer ser humano, né? Desde os primórdios as pessoas pegam a tesoura (ou as pedras, lanças, sei lá o que, kkk) e arrancam as madeixas fora. Se não fazem, deviam fazer. Cortar o cabelo faz bem.

Mas, sabe-se-lá Deus por que, lá em casa não era assim. Cortar o cabelo de Alice virou um assunto de família desde que eu cortei a franjinha dela pela primeira vez. Tava entrando no olho, ela tinha meses (não lembro quanto, uns 8 eu acho), eu peguei a tesoura e cortei eu mesma. Mais tarde o pai, os avós, as tias, o periquito, o papagaio, vieram reparar, perguntar, questionar… E assim foi quase todas as vezes.

Mais tarde vieram os cachinhos. Lindos cachinhos, que Alice tem (ou tinha?). Nas pontinhas. O cabelo dela é daquele tipo bem fininho, macio, liso, com voltinhas nas pontas. As voltinhas viraram cachinhos e foram crescendo… crescendo…

Um dia levei pra aparar as pontas e foi uma comoção nacional!! “Os cachinhos vão cair”. Aparentemente, cortar os cachinhos de uma criança equivale a cortar os dedos dela fora. Graças a Deus, os cachinhos não caíram, eles permaneceram, se renovaram… e o cabelo continuou crescendo.

Eu não sei qual foi o momento (a gente sempre perde a conta do tempo com este negócio de criança) em que eu olhei pra minha filha e ela estava quase virando a Rapunzel. Aquele cabelo enooorme. Dificl de lavar, de pentear.  E ela odeia pentear o cabelo. Fazer um rabo, uma trança, é um drama. Digno de novela. (Mais uma vez: não sei quem esta menina puxou pra fazer tanto drama!!)

Quando estava calor, o cabelinho grudava nas costas dela, e ela, incomodada, tentando tirar. Dava até dó.

Aí eu parei e pensei: porque é mesmo que o cabelo desta menina tá deste tamanho?? Todo despontado, embaraçado… acho que eu tinha perdido mesmo o juízo.

Graças a Deus recuperei meu bom senso, peguei o carro, e saí com meus dois empuleirados em busca do tal salão de criança que bota a galinha pintadinha pra criança ficar quietinha na cadeira e dá um pirulito no final! Perfeito!!

 Em 20 minutos, ela estava pronta! Linda, uns cinco quilos mais leve e com um pirulito na mão!

 A mãe, muito feliz. Bate aquele medinho da reação dela. “Filha, olha no espelho, vc não ficou linda?”. Resposta positiva, balança a cabeça. “Olha, que linda, com este cabelo novo…”. Ela parece não ter ligado muito pra mudança. Sinto um alívio (ou será uma decepção?).

 Aí comento com a moça que corta o cabelo: “o pai vai me matar, vai me perguntar: cadê os cachinhos?” Neste momento, Alice (que já desenvolveu a arte de escutar a conversa dos outros) me diz: “ali, mamãe, os cachinhos estão ali” – e aponta para o chão.

Em seguida, continua a brincar, feliz e sorridente.

Ela nem reparou. Esquece o drama. Pra ela não fez a menor diferença. Muito bem resolvida esta minha filha, né?? ( Mas isto aí eu sei que ela não puxou da mãe, rs).